entreabertas, as luzes do céu, a claridade escorregadia
desmancha-se pelo espaço e pelo tempo estagnado
a ida a ira a cantoria
das festas da Agonia
as bombas limpas dos alicerces das minas
elas explodem no chão repleto de água infecta
as botas percebem-se molhadas pela água infecta
desmorona os joelhos
incandescem as mãos
a porta bate as unhas roídas a saída inexistente
o sono entrevado de horas ingratas e claras
paredes se encharcam de umidade e bolor
as palmas no ar o álcool nas sarjetas
os corpos nas sarjetas
o arrastar-se disfarçado de beijos
de salivas sujas de lábios sujos
quebradas as ruas
quebradas as caras
a porta quebra o entusiasmo que não há
a insônia de coluna partida a dor da luz apagada
as formigas passageiras carregando livros e pó
as garrafas agoniadas os gritos
uma falsa alegria dançada
a nudez retraída dos olhos maquiados de areia
esfregado na areia surrado no banco praticante
de torpor e lonjuras
a psicopatia teatralizada de uma madrugada solene
a porta preme a unha que sangra
as palavras empenadas como óculos quebrados
joga o estoque de amor como um vaso desajeitado
no chão como um bufão devorado pelas traças
sozinho
os infernos invadem a rua
as garrafas os fantasmas bebem os corpos
do meio-fio
sozinho
as portas são desertos
as luzes são desertas
as paredes são desertas
sangrando como gente, a sala se fecha para o lá-fora.





